Na verdade, o tal “Segredo” já não era tão secreto assim. Esses ensinamentos estão registrados em antigos pergaminhos e em diversos livros muito anteriores à obra O Segredo, de Rhonda Byrne.
O problema é que O Segredo foi excessivamente fantasiado. Em entrevista, Amit Goswami fala justamente sobre essa mistificação. O livro ensina a mentalizar “coisas” para manifestá-las no mundo físico — algo que já fazemos naturalmente, muitas vezes sem perceber, pois o pensamento é matéria e se precipita no mundo físico na forma de objetos ou situações.
O que Rhonda Byrne não ensina é algo básico.
O verdadeiro segredo do Segredo é que, antes de qualquer coisa, precisamos nos livrar de uma companhia constante: a culpa.
A culpa é uma vilã silenciosa que nos atrapalha o tempo todo. Ela é capaz de desfazer, em segundos, um trabalho inteiro de horas de meditação.
Já nascemos imersos nela por conta da história de Eva — uma narrativa mal contada que gerou uma culpa profunda para toda a humanidade. Somos levados a acreditar que somos culpados apenas por existir, por uma alegoria que não se refere a duas pessoas em um paraíso, mas sim a uma civilização inteira. Mas isso é assunto para outro momento. Enquanto isso, a culpa segue sendo fortalecida diariamente pelas instituições religiosas. Fiéis culpados lotam igrejas — e isso é um excelente negócio para padres e pastores.
Sentir-se culpado e não merecedor de coisas boas é algo comum a todos nós. Sentimo-nos culpados em relação aos pais, aos filhos, aos parceiros, às escolhas que fizemos ou deixamos de fazer. Se ficarmos batendo no peito e repetindo a ladainha ensinada desde pequenos — “minha culpa, minha máxima culpa” — não chegaremos a lugar algum.
Sentimo-nos culpados por dar atenção demais ou de menos; por agir ou não agir; por pensar assim ou assado; por falar ou silenciar. Em alguns momentos, chegamos a nos sentir culpados até por termos nascido.
Primeiro exercício: eliminar a culpa
Elimine a culpa do seu cardápio diário.
Coloque a mão direita entre o ombro esquerdo e o pescoço, incline levemente a cabeça para a direita e repita:
“Mãe (ou, se preferir, Deus), eu não sou culpado(a) de nada.”
Repita esse exercício sempre que desejar ou sempre que a culpa surgir.
Em segundo lugar, precisamos parar de nos castigar por essas culpas. Nós nos sabotamos o tempo todo. Mentalizamos algo que desejamos muito e, logo em seguida, a culpa entra em ação no inconsciente, desfazendo tudo:
“Nada de bom acontece comigo.”
“Não sou merecedor.”
“Sou um infeliz azarado.”
Enquanto isso, acreditamos que tudo é fácil para o vizinho, mas impossível para nós. Com tanta culpa, autossabotagem e sensação de insignificância, qualquer manifestação se transforma em poeira cósmica.
Segundo exercício: afirmações
1) “Eu Sou o Eu Sou, e estou no comando do meu Ser de agora em diante”;
2)“Eu Sou a Porta que ninguém pode fechar”;
3)“Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”;
4)“Eu Sou a Abundância de Deus”;
5)“Eu Sou a Pureza de Deus”;
6)“Eu Sou a Perfeição de Deus”;
7)“Eu Sou o Eu Sou manifestando aqui e agora”;
8)“Eu Sou a Ressurreição e a Vida”;
9)“Eu Sou merecedor(a) do Reino de Deus”.
Repita essas afirmações diariamente.
Pare, sinta a vibração de cada uma vinda do Universo, preenchendo todo o seu Ser. Contemple essa energia percorrendo seus corpos, limpando, purificando e transmutando cada célula, libertando você de toda negatividade.
Terceiro exercício: encarar os medos
Precisamos encarar nossos medos — aquele bicho-papão que, na infância, se escondia debaixo da cama ou no armário. Quando adultos, ele cresce tanto que nem sabemos por onde começar a lidar com ele.
—Medo de não ser amado.
—Medo de perder um amor.
—Medo de perder alguém querido.
—Medo de fracassar.
—Medo de não ser suficiente.
Eliminar os medos é o terceiro exercício. O medo surge pela falta de coragem — ele é, na verdade, um excesso de ausência de coragem. Portanto, não devemos negar o medo, mas afirmar a coragem.
A falta de coragem nasce da falta de fé. A fé fortalece a certeza de que nada pode nos afetar. Fé em um Poder Maior, no Criador, na consciência de que tudo Lhe pertence e por Ele existe. Nada acontece fora desse Campo. Tudo já existe como possibilidade disponível para ser manifestada — basta querer, focar e soltar.
A fé é a certeza profunda de que pertencemos ao Universo e de que o Universo nos pertence. Ela não é cega; ela sente, vê, ouve, tem direção e propósito. A fé precisa ser consciente. Tudo já está dentro.
Exercício de fé e coragem
1)“Não existe medo na Mente de Deus”;
2)“Eu pertenço ao Universo e o Universo me pertence”;
3)“Eu Sou o Eu Sou, Aquilo que É e Sempre Será”;
4)“Eu me fortaleço Naquele que me Criou”;
5)“Eu Sou a Perfeita Criação de Deus, portanto Eu Sou a Perfeição de Deus”;
6)“A fé percorre meu corpo e alimenta de coragem minha alma”.
Com a mão no coração, diga:
“Eu Sou o Puro Amor de Deus e me encho de coragem, vencendo os meus medos, que na verdade nem existem.”
A observação como chave
Algo muito importante que percebi ao longo do tempo é que a observação é uma grande aliada desses exercícios — talvez a chave de tudo.
Inconscientemente, manifestamos aquilo que observamos. Quem nunca reparou nos maus hábitos de alguém, na educação dos filhos alheios, ou em uma criança birrenta, e depois se viu lidando com a mesma situação em casa? Quantas vezes pensamos: “Quem mandou reparar?” ou “Paguei pela língua”?
Se manifestamos inconscientemente o que observamos, podemos também manifestar conscientemente.
Culpa, medo, coragem e fé são sentimentos. Como observá-los?
A coragem é a mais fácil. Basta observar situações que a expressem:
- um bombeiro enfrentando o perigo para salvar vidas;
- um animal defendendo sua prole de um predador maior;
- uma pessoa enfrentando preconceitos e alcançando o sucesso;
- alguém lidando com uma doença grave com força e dignidade.
Ao admirarmos a coragem nos outros, despertamos em nós a certeza: se eles conseguem, nós também conseguimos.
Já o exercício ligado ao merecimento exige mais atenção. Observe situações de capacidade:
- uma pessoa que, mesmo com limitações físicas ou mentais, alcança seus objetivos com esforço e dedicação.
Isso nos leva a perceber que, se somos capazes, também somos merecedores.
A culpa é o sentimento mais enraizado e exige um mergulho mais profundo. Precisamos investigar o que nos faz sentir culpados. A história de Eva e Adão é apenas uma alegoria. Não existe culpa — existem responsabilidades. Toda ação gera uma reação. Todo erro gera aprendizado.
Se erramos, aprendemos. Se repetimos o erro, a vida nos apresenta a mesma lição de outra forma. Então, por que a culpa? Somos perfeitos na essência, mas precisamos nos lapidar para manifestar essa perfeição. Evoluir é aprender com erros e acertos.
Quando compreendemos isso, a culpa se desfaz como pó ao vento.
Podemos observar nossos erros e acertos, fazer um balanço e extrair um saldo positivo de ambos. Assim, a culpa perde o sentido.
“Recebi este artigo de um mensageiro enquanto estava em meditação. Ele veio como um relâmpago. Todos os textos que escrevo sobre espiritualidade são direcionados por eles, mas este, em especial, não foi fruto de pesquisa ou de leituras. Foi projetado integralmente em minha mente.”
Namastê!
Carmem de Vasconcellos


Nenhum comentário:
Postar um comentário