segunda-feira, 22 de abril de 2013

Poema Wiccano!






Densa floresta, guardiã de luzes,
De luares transparentes, azulados
Matizada pelas lúridas cores,
Fogueiras honrando antigos deuses
Ferem-me no peito.

Ocultos, p'las ramagens inquietas,
Efervescendo, qual ordem dos ventos
Soprando, do abismo e do ignoto
Nos cânticos ancestrais se misturam,
Os ecos se propagam.

Livres corpos nus iluminados,
Beijos cândidos desferindo a Lua
Do Céu, testemunhado honras lunares
Vestindo prateado níveo manto
Colhendo estrelas.

Murmúrios solenes iniciam,
Antigos rituais e as pedras escutam
Transpirações nocturnas no calor,
Dos cânticos, louvores à Natureza,
A vida celebrando.

Círculos de braços apontando,
Aos deuses atentos a quem ora
E fere a carne lançando na terra,
O sangue, florescendo à volta, o viço
Milagre verdadeiro.

Acesas tochas bruxuleiam, quando
Subitamente, quebrado silêncio,
Pelo primeiro grito, posse de outra
Alma sem somente ser a sua
Do sono despertando.

Frenética dança, laboriosos transes,
Aspergindo odores quentes co' a frescura
Fundindo-se no odor celeste e puro,
Quando deuses caminham na terra
No olvido do Homem.

Oferendas, de sinceros cansaços
Honrando a celebração da vida,
Tão antiga quanto o nascimento
Ligando pontes entre o Céu e a Terra,
Torres de Gigantes.

E esparsos, caminhando lentamente,
Ao lar caminham leves como folhas
Guardando harmoniosa voz poemas,
Compostos pela Eterna Natureza
Assim cantam os Deuses...

António


Namaste!

Carmem de Vasconcellos

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